Saturday, 31 December 2011

Nanozine

Este ano fiz muitas coisas: comecei a estagiar numa escola e participei na Nanozine a partir do número 2. Aqui fica o resumo do ano:

Thursday, 29 December 2011

Os melhores livros para serem lidos em 2012 - lançados em 2011

A infância, o Alentejo, o amor, a escrita, a leitura, as viagens, as tatuagens, a vida. Através de uma imensa diversidade de temas e registos, José Luís Peixoto escreve sobre si próprio com invulgar desassombro. Esse intimismo, rente à pele, nunca se esquece do leitor, abraçando-o, levando-o por um caminho que passa pela ternura mais pungente, pelo sorriso franco e por aquela sabedoria que se alcança com o tempo e a reflexão. Este é um livro de milagre e de lucidez. Para muitos, a confirmação. Para outros, o acesso ao mundo de um dos autores portugueses mais marcantes das últimas décadas.







A guerra entre Absolutistas e Liberais está ao rubro quando Vicente Maria Sarmento retorna a Chão de Couce, após receber a notícia da morte do pai. Mas esse regresso tem um sabor duplamente amargo; em Lisboa, onde viveu os últimos anos, Vicente Maria pertenceu a um bando de salteadores e esteve preso no Limoeiro, donde só saiu por obra e graça dos malhados, que assaltaram a cadeia para libertar os partidários de D. Pedro. Antes de seguir para casa da mãe, para sossego do corpo e do espírito, Vicente Maria dirige-se para a Venda do Negro, acabando a noite nos braços da puta Tomásia, que nunca esqueceu e a quem promete casamento e vida honesta.
Contudo, o seu regresso reacende na vila antigos ódios e paixões e os seus inimigos estragam-lhe os planos. Não lhe resta, pois, senão juntar-se a um novo grupo de bandidos, esperando que as pilhagens lhe rendam o bastante para se pôr a milhas dali com a amada. Quem também se vê em apuros é D. Miguel, atacado por todos os lados, a quem as vénias dos corcundas já de nada servem.
Projectado o assalto a uma família de fidalgos ricos em viagem, é numa curva da estrada que o bando intercepta uma carruagem, sem saber que os destinos de Portugal se jogam nesse preciso instante. E é pela ousadia de Vicente Maria que, afinal, se alterará o rumo da História, embora os livros injustamente o omitam.
Com uma linguagem poderosa e um humor digno da melhor literatura picaresca, o presente romance é uma homenagem aos heróis anónimos que ajudaram a construir as respectivas nações e um fresco sublime das lutas liberais.


A novela Os Desmandos de Violante é a terceira parte de uma sequência iniciada por Vasco Graça Moura em 2008, com O Pequeno-Almoço do Sargento Beauchamp, a que se seguiu, em 2010, O Mestre de Música. Este ciclo narrativo, cuja acção decorre entre 1807 e 1814, perfaz uma trilogia a que o autor resolveu dar o título genérico de O vermelho e as sombras.
Para melhor compreensão desse título do conjunto, se dirá que o «vermelho» funciona como metáfora de tempos de guerra, sangue e violência, como o foram os das Invasões Francesas em Portugal, e presta ao mesmo tempo uma homenagem que se pretende evidente e literal ao Stendhal de Le Rouge et le Noir.
Por sua vez, as «sombras» quereriam ser a sugestão quase cinematográfica do comportamento e da movimentação de algumas personagens — figuras da aristocracia, das artes (em especial da música), do clero e do povo — , que se envolvem em estranhas situações e se vão recortando contra aquele fundo de convulsão social e política rapidamente aludido.




Na ilha de Lesbos, plantada no Mar Egeu, existiu uma poetisa que via no amor fonte inesgotável de inspiração para os poemas líricos que compunha. Esta é a história da poetisa mais famosa da antiguidade clássica: Safo de Lesbos. Encontramos Safo já viúva e com uma filha. Instigada pela fama de um certo jovem de beleza irresistível e sequiosa de viver novamente o amor, Safo enamora-se de Fáon, um velho barqueiro de Mitilene que as artes mágicas da deusa Afrodita transformaram no mais belo rapaz que alguma vez existiu. Dizem que o seu olhar é de luz mas a sua alma de gelo. O drama reside em que a alma ardente e jovem de Safo, presa no invólucro da velhice, ama o corpo jovem de Fáon, que encerra um espírito velho e desapaixonado. Mas Safo parece ignorar essa diferença e entrega-se sem reservas à paixão pelo homem de olhar fenício.que aconteceu naquele dia na rocha branca de Lêucade fez daquele lugar destino de peregrinação de muitas mulheres desesperadamente apaixonadas.



A filosofia na alcova, de Marquês de Sade, é uma referência incontornável na história da literatura, quer enquanto ensaio sobre a condição feminina, a libertinagem, a sensualidade e a sexualidade, quer como inovador e arrojado exercício de escrita.
Em O complexo de Sagitário, Nuno Júdice homenageia de forma admirável a famosa obra do escritor francês. Um cativante diálogo entre o ensaio e o poético, usando os mesmos jogos de linguagem que Sade popularizou, torna este livro leitura obrigatória para os conhecedores e amantes da obra de Marquês de Sade e de Nuno Júdice.






Quando um grupo de feiticeiros renegados decide despertar uma personagem maldita da história portuguesa para cumprir uma profecia de séculos, Baltazar Mendes (investigador policial a quem acusaram de loucura!) vê-se envolvido contra sua vontade num conflito mortal em que nem todos os oponentes são humanos. Tudo dependerá de si porque, se a profecia se cumprir e o desejado regressar, o fim chegará numa manhã de nevoeiro. Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, que apresenta uma nova e talentosa voz do fantástico nacional.





Poucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.

Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo. (mais informações no artigo da Nanozine 4,5)




Best come-backs (os clássicos esquecidos nas prateleiras de muitos portugueses, com edições novas):

Georges Duroy, de alcunha Bel-Ami, é um homem jovem e de belo físico. Um encontro ocasional mostra-lhe o caminho da ascensão social. Apesar da sua vulgaridade e ignorância, consegue integrar a alta sociedade apoiando-se nas amantes e no jornalismo.
Cinco mulheres vão sucessivamente iniciá-lo nos mistérios da profissão, nos segredos da vida mundana e assegurar-lhe o êxito ambicionado. Nesta sociedade parisiense, em plena expansão capitalista e colonial, a Imprensa, a política e a finança estão estreitamente ligadas. E as mulheres educam, aconselham e manobram na sombra.
Mas, por trás das combinações políticas e financeiras e do erotismo interesseiro, está a angústia que até um homem como Bel-Ami transporta consigo.


Os Buddenbrook narra a ascensão e a decadência de uma família burguesa alemã através de quatro gerações. Mais do que a crónica em torno da vida e costumes dos seus personagens, este romance é a metáfora exemplar das contradições e dilemas de uma classe, cujo poder e domínio se constroem sobre a fraude, a hipocrisia e a alienação. Ao mesmo tempo, como posteriormente acontecerá nos seus principais romances, Thomas Mann propõe e desenvolve o tema da arte como a instância privilegiada em que o homem pode reflectir sobre si, a sua época e o seu meio.






A existência de F. Scott Fitzgerald coincide literariamente com os dois decénios que separam as duas guerras, repartindo-se entre a América onde nasceu, numa pacata cidade do Middle West, no Minnesota, e a França, onde viveu durante vários anos com a família. O seu nome evoca-nos uma geração que associamos à lendária idade do jazz, vertiginosa e fútil. Fitzgerald pertenceu a essa geração, foi um dos seus arautos. A sua vida tão precocemente visitada pela fama, e tão cedo destruída, é a carne e o sangue de que é feita a sua obra. O Grande Gatsby é o seu maior romance, talvez porque nele se fundem com rara felicidade essa matéria-prima, a sua própria experiência de vida, e uma linguagem de grande qualidade poética.




Jane Eyre, pobre e órfã, cresceu em casa da sua tia, onde a solidão e a crueldade imperavam, e depois numa escola de caridade com um regime severo. Esta infância fortaleceu, no entanto, o seu carácter independente, que se revela crucial ao ocupar o lugar de preceptora em Thornfield Hall. Mas, quando se apaixona por Mr. Rochester, o seu patrão, um homem de grande ironia e algum cinismo, a descoberta de um dos seus segredos força-a a uma opção. Deverá ficar com ele e viver com as consequências, ou seguir as suas convicções, mesmo que para tal tenha de abandonar o homem que ama? Publicado em 1847, "Jane Eyre" chocou inúmeros leitores da Inglaterra vitoriana com a apaixonada e intensa busca de uma mulher pela igualdade e a liberdade.

Tuesday, 27 December 2011

Um livro é uma caixa de chocolates imaginária

A mulher que amou o faraó
Maria Helena Trindade Lopes
Editora: Esfera dos Livros
PvP: 19€

Primeiro de tudo deixem-me elogiar os autores portugueses (lindos e maravilhosos) que fazem pesquisas históricas de salivar (isso incluí o David Soares - posso achar o Evangelho um desperdício de folhas, mas aquela bibliografia é no mínimo orgásmica). Os "tugas" são autores que espetam o nariz numa carrada de livros e fazem pesquisa para tentarem dar o mínimo de calinadas possíveis nos seus livros. Por isso, vos saúdo! Agora vem a parte da joelhada! A nível de escrever romance históricos - meu Deus! Que desastre. Então aqueles que têm enredos amorosos... não sei o que é pior! O Soares e o seu dicioná... perdão os seus livros ou entradas da Wikipedia amorosas. Uma pessoa pega nestes livros a pensar que vai ler um Anthony & Cleopatra de chorar as pedras da calçada, uma Katherine da Seyton e sai-nos um artigo de Wikipedia disfarçado de romance? Oh meus amigos. Não havia necessidade. Então a 19€ não há é carteira. Comecemos então pelo lado positivo:
- a pesquisa e a história em si. Para quem sabe a apenas o nome dos deuses, aprende-se imenso com este livro (mais do que a Wikipedia, true story). A pesquisa é um dos pontos fortes e nota-se que a autora domina e brinca com a História. Para quem é amante do Egipto, deve ser um livro maravilhoso. Para quem gosta de um bom romance histórico, nem por isso.

O vocabulário usado, por vezes, torna-se chato. Os interlocutores abusam dos nomes carinhosos "flor da minha manhã", "romã da minha vida" e a estrutura da narrativa é anti-clímax. A autora optou por alternar os capítulos entre passado e presente, contudo o presente dizia sempre algo referente ao passado. Por exemplo Ísis dizia "ai como eu amei Ahmès." capítulo seguinte mostra uma Ísis jovem a mostrar algum afecto para com Ahmès. Ora bem sou apologista do "Show, don't tell!" Se a personagem ama, não diga que ama - mas que construa esse afecto ao longo das páginas. Um grande amor precisa de ou muita mestria na narrativa e poucas páginas ou muitas páginas para o amor ser consolidado. Em "A mulher que amou o Faraó" acontece tudo muito apressadamente, sem espaço para o leitor respirar. Chega-se a um ponto de saturação em que, como a narrativa tem sempre o mesmo ritmo, o leitor queira saltar partes aborrecidas que não interessam nem ao menino Jesus, para chegar à parte com mais ritmo. Aprendam, meus amores. Nunca escrevam um livro onde as partes secantes ficam mesmo a seguir a partes entusiasmantes. Ninguém gosta de ver uma caixa de chocolates aberta e de não poder comer.

Ou seja, "A mulher que amou o Faraó" podia ser um livro com uma grande história de um amor arrebatador, mas em vez disso a autora concentra-se mais no rigor histórico do que na narrativa. De facto, podemos saber muito sobre o assunto, mas se não soubermos enfeitiçar o leitor com as personagens e com a história, não há História que sobreviva...

Monday, 26 December 2011

Os melhores livros lidos em 2011

Pois é chegada aquela altura do ano em que sou boazinha e reúno um post com tudo de bom e de alegria! Os 10 melhores livros que li este ano (demora a chegar, mas quando chega é em grande) e os piores! Os horrores e tragédias literárias...

1. As novas cartas portuguesas: Maria Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa
Edição anotada
Editora: Dom Quixote

- As novas cartas merecem estar no topo da lista por ser um dos livros mais inovadores (senão o mais) de Portugal, com imensas traduções por todo o mundo, mas que fica sempre esquecido. Cruel e poético, desta vez não fica esquecido!

2. O revisor: Ricardo Menéndez Salmón
Editora: Porto Editora

- Um livro que prova que escrita a metro falha. Em poucas páginas Salmón deixa o leitor K.O, mexe com o nosso pensamento e com a concepção da realidade.

3. The dispossessed: Ursula Le Guin
Editora:
- er é a Le Guin... não precisa de muitas mais justificações.

4. (ebook) The claiming of the Sleepy Beauty: Anne Rice
Editora:Plume

- Cruel, peculiar, erótico, estranho... and I want so much more.

5. A paixão segundo Contança H.: Maria Teresa Horta
Editora: Bertrand

- o meu gosto de escrever cenas eróticas sem parecer uma beata veio desta senhora. Para quem não sabe escrever erótico em português, coloque os olhos nesta senhora e aprenda muita coisa!

6. Flow my tears, the Policeman said: Philip K. Dick
Editora: Gollancz

- Uma narrativa frenética sobre o tema da identidade perdida numa prosa descontraída.

7. The forgotten beasts of Eld: Patricia McKillip
Editora: Magic Carpet Books

- Lembro-me que quando o li, não me aqueceu, nem arrefeceu. Com o passar do tempo tenho imensas saudades de o reler. Talvez pelo facto de muitas vezes me achar parecida com a personagem principal e ter medo de ser uma "Ice Queen".


6. The Hitchhiker's guide to the galaxy: Douglas Adams
Editora: Del Rey

- Happy Towel's Day! O Hitchhiker é muito mais do que um livro, é um ideal com as melhores frases de sempre.

7. As atribulações de Jacques Bonhomme: Telmo Marçal
Editora: Gailivro

- É verdade que ainda sou uma novata nestas andanças de FC, mas há imagens poderosas que nunca abandonam a nossa mente. O Telmo Marçal conseguiu transmitir algumas dessas imagens para a minha cabeça.

8. (ebook) The bell jar: Sylvia Plath
Editora:Harper Perennial Modern Classics

- Ai Plath... se eu vivesse no teu tempo não me escapavas...

9. (ebook) Enchanted: Nancy Madore
Editora: Spice

- Contos de fadas eróticos, picantes, com um simbolismo surpreendente. Fica em 9º de castigo pelos seguintes não serem tão bons.

10. Os cus de Judas: António Lobo Antunes
Editora: Dom Quixote

- Porquê o 10º em ALA? Bem de facto foi dos melhores que li e sinto-me puxada a ler mais, mas sinto que a prosa de ALA precisa de ser bem mastigada e não sou tão boa a descortinar alguns simbolismos na prosas portuguesa, com sou na inglesa. Ainda assim venha mais ALA, que o sr. é um Mestre!

Os piores dos piores ou melhor: aqueles que são tão maus, que não aguentei até ao fim

A donzela sagrada I e II : Diana Tavares
Editora: Euedito Print on Demand

-"Capitulo 1", Caps Lock, erros ortográficos. Nem sei por onde começar. O pior exemplo de que mais vale estar quietinho. Como querem ser escritores se não sabem escrever? Agora vou ser prof de matemática. Não entendo nada de equações, mas não há de ser nada...

Much ado about you: Eloisa James
Editora: Avon

- Mulheres desesperadas por maridos, que falam sobre arranjar maridos e passam a vida a tentar arranjar maridos... um tiro é menos doloroso.

Star: Danielle Steel
Editora: Sphere

- Tanta desgraça faz mal ao coração. Eles amam-se, ela foge, ele casa com outra, ela anda com outro, mas o gajo é uma besta e ela espera pelo outro que está casado com a outra... a sério Steel, tens de experimentar veneno de rato no chá... ouvi dizer que sabe muito bem e faz maravilhas à pele. E vocês pensam: Oh Adeselna o que te passou pela cabeça para leres Danielle Steel? Meus queridos, estava a ler esta coisa para tentar entender se o papel da mulher na literatura romanceada dos anos 80 era diferente do papel da mulher hoje em dia nos livros. Por isso, caríssimos, é que peguei em tal coisa.

Monday, 19 December 2011

I found my soulmate trapped inside a fat werewolf

As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy
Argumento: Filipe Melo
Arte de: Juan Cavia
Editora: Tinta-da-China

Primeiro pensamento quando acabo de ler o livro: awww já acabou? Não pode? Não há mais? Haver, há, só que tenho de voltar à loja.

Segundo pensamento quando acabo de ter o anterior: isto é parecido com uma quickie: orgasmico, mas de curta duração... é e basicamente é esse o único ponto negativo que tenho a apontar! Durou muito pouco e eu queria mais... a lot more!

"As incríveis aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy" é o meu primeiro livro de BD! Eu costumava ler a Vampirella, mas no supermercado, e comprei o "Sandman" do Neil Gaiman para o meu namorado. Ou seja nunca tive uma BD que comprasse para mim! Começou mal: as folhas do primeiro que comprei soltaram-se e a minha reacção foi: Poker face e depois pânico geral. Pela primeira vez vi um livro desfazer-se à minha frente... lá sobrevivi e fui trocar.
Podemos dizer que este primeiro volume das aventuras destas três personagens: Pizzaboy, Dog e Pazuul é uma mistura de vários clichés já mastigados por várias outras pessoas (o rapaz de pizzas que é explorado e que se não chega dentro de 20 minutos a pizza sai do bolso dele, teorias da conspiração e tal), e porque é que gostei tanto do livro se detesto coisas clichés? Por causa do Dog! Sim, essa personagem épica, com um feitiozinho do pior e com cara de bad-ass e pança enorme (e muito mau a matemática). Filipe Melo soube aproveitar clichés antigos e transformá-los através das duas personagens mais improváveis. O livro tem ainda bastantes detalhes, especialmente quando existem frases em alemão (e para quem sabe alemão) são completamente hilariantes, por estarem tão fora do contexto e mesmo assim parecerem algo decente (a do "Vergessen Sie nicht dieses Buch Ihren Freunde zu empfehlen" foi genial).
Um livro muito bom para descontrair e rir durante meia-hora.


Sunday, 11 December 2011

Clube BlogRing

Bem tudo isto graças à ideia que a Vera Coutinho, do blog The door to my Imaginarium teve há algum tempo:

Adoram ler e tem um blogue dedicado ao mundo da literatura? Então o BlogRing é para ti :)

Inicialmente quero realizar este projecto entre blogues portugueses de literatura.

A ideia consiste em disponibilizar um livro. Por exemplo o livro “Um dia” de David Nicholls, eu tenho uma cópia e estou acabar a sua leitura e posso depois disponibilizá-lo. Existem blogues que já leram mas poderão existir outros que estejam interessados em ler o livro. Então cada blogue interessado deve fazer a sua participação no blogring desse livro via email/comentário em blogue/… é feita a lista dos blogues interessados no livro que devem fazer o livro circular de pessoa para pessoa, por ordem de lista, até voltar ao membro que o disponibilizou (moi).
Todas as pessoas que queiram pertencer ao “clube BlogRing” podem criar um espaço no seu blogue onde contém os livros que disponibilizam e podem também fazer uma wishlist (eu vou criar uma página onde divulgo os livros que disponibilizo e wishlist).
Cada um define as suas regras de empréstimo:

Número de participantes
Tempo limite de ficar com um livro:
Cada um estabelece o limite de tempo para o livro que disponibiliza!
No meu caso penso que 15 dias a um mês é suficiente por leitor. Depende do tamanho do livro; do ritmo de leitura de cada um;….

Mensagens especiais ou não escreverem nada:
Pedir a cada um para assinarem, nome do blogue,… ou que não escrevam nada senão parto-vos a cara lol…eu gosto da parte de saber quem leu e recordar pelo que ter o vosso nome, nome do blogue e uma simples mensagem acho que ficava especial :)

CTT…
Como sabem podem existir extravios dos ctt pelo que livros raros, ou que sejam ofertas especiais e de dificil aquisição convém não os aventurar em empréstimos.”



Número de participantes: Bem eu não queria que fosse mais do que 5 (vistos os livros andarem a flutuar nesta Inverno)
Tempo limite de ficar com um livro: 15 dias parece-me bem
Mensagens especiais ou não escreverem nada: Coloquem o link do blog e nome para saber quem anda com o dito cujo na mão.

LIVROS DISPONÍVEIS:

Últimas leituras do ano

Thursday, 8 December 2011

As atribulações de Jacques Bonhomme



"Telmo Marçal é um escritor de Ficção Científica portuguesa. Mas portuguesa a sério! Tudo é original e autêntico, desde o cuidado com a língua usada aos próprios diálogos e o tom chavascal na prosa. Só faltam as sardinhas, o bacalhau e o bagaço. A maneira como as letras fluem no papel são um propulsor inigualável para ajudar o leitor a criar imagens fortes e chocantes no seu imaginário."

(sneak-peek da Nanozine 4)

Wednesday, 7 December 2011

Filhos do Twilight

Soberba Escuridão
de Andreia Ferreira
Edição: 2011
Páginas: 256
Editor: Alfarroba

Review rápida, indolor e sucinta - isso era o que vocês queriam! O mais engraçado é que hoje encontro-me extremamente bem disposta! Tive uma regência sobre direitos das mulheres afegãs, o seminário com a orientador correu bem, não fui à aula de Alemão I, devido ao cansaço, tive bateria no e-reader para ouvir música e ainda consegui chegar cedinho a casa! Estou quase a vomitar arco-íris e a pensar que a vida é bela. Bem, pensam vocês, hoje a vítima vai ser pouco cascada! Ah isso queriam vocês! Na verdade a leitura do livro meteu-me pior que estragada (começamos bem). Há uma coisa que me mete fora do sério: livros que são a porra de cópias de livros estrangeiros. No mundo de hoje, em que a criatividade é algo limitado, se não vamos meter cá para fora nada de novo, mais vale estarmos quietinhos. "Soberba Escuridão" foi-me cedido pela autora (Danke, Danke) até porque estou em retenção de custos (os livros não me aquecem o corpinho no Inverno e consegui numa troca de dois livros que estavam a empastelar a minha estante, trocá-los por dois.

O problema do livro é que é uma espécie de Hush-hush meets Twilight em Braga. A história não é nada de novo, nem nada de especial... pensando bem: não há história. Girl meets boy, boy é lindo e todo bom e tal, gaja é normal e assim meia nerd. O gajo para variar é todo bad boy e tal e o livro é todo em torno disso, ela a namorar com ele e a acontecerem coisas esquisitas. The End. Fico piurça quando vejo uma história que podia ser espectacular e bem aproveitada, tornar-se um "copy/ paste" da literatura anglo-americana. A personagem principal tem demasiado tempo de antena e o Caael é muito reduzido. Aliás, ele só está lá para ser bonito, fófinho e chamar a gaja de "Estrela" (a sério que foleirice, se um demónio me tratasse por estrela, levava-me uma chapada para ganhar tomates). Até porque supostamente o gajo é todo bad boy e cruel e tal, mas quando está com a Carla (uma toininha que parece brain dead) é todo querido e cavalheiro e misterioso. Os standards das mulheres hoje em dia estão so wrong... sou eu a única a preferir um homem seja ele gordo ou magro, com dois neurónios? Porque é que nestes livros as gajas têm de gostar sempre dos gajos só porque são lindos de morrer e misteriosos? Gente, na vida real um homem misterioso quanto muito saca-vos os rins, não vai para a cama com as meninas e tornam-se os namorados ideais super românticos...

Quanto às personagens secundárias: salva-se a Ana que é mais ou menos real, mas para variar tem de haver a porra da influência americana. Eu andei num liceu aqui em Portugal, na pública e garanto que a ideia de haver as meninas populares, todas giras, fúteis burras que nem porta não existe! Sim o high-school é uma bosta, completamente normal onde pode haver drama queens, mas a sério escritores jovens parem de imitar o americano. Lá porque eles são parvinhos lá, não quer dizer que os portugueses sejam assim. Quanto à personagem do Miguel: que inutilidade de personagem. Está lá só para ser rejeitado pela Carla e servir de vítima, de resto tanto ele como o Daniel são figurantes de 2º categoria. Aliás as personagens secundárias têm muito pouco peso, roda quase tudo à volta da Carla e do Caeel, o resto do pessoal só serve para fazer conversa e quando começam a ter um peso na narrativa, esta acaba.

O pacing da narrativa é demasiado acelerado. Embora supostamente este seja o primeiro de uma trilogia, penso que essa necessidade teria sido evitada, se o livro contasse com o dobro das páginas. Normalmente não sou apologista de livros grande, contudo estas 250 páginas são aldrabadinhas. O livro tem formato A5, com TNR tamanho 12, portanto havia mais que espaço para fazer uma edição bem maior, com mais informação, pacing mais bem desenvolvido e menos trapalhão. O livro também teria ganho com muitas críticas de especialistas. Agora não estou a gozar, nota-se erros de construção da narrativa que não aconteceriam se os livros tivessem sido lidos por alguém que entendesse de literatura. Principalmente pelo facto de este ser o primeiro livro, existe uma tendência muito grande para haver falhas parvinhas que podem ser superadas com um par de olhos especializado.

Resumindo:
  • Narrativa: história mal aproveitada, ritmo acelerado e pouco original;
  • Personagens: clichés (tirando a Ana) e mal balançadas (ao menos têm nomes portugueses!);
  • Linguagem: desequilibrada - não me convençam que os jovens não dizem asneiras. É que nem um fodasse! E ainda dizem "indaguei". O lado positivo do livro é que alguns diálogos estão muito bem conseguidos e soam mesmo a um diálogo (yey!). Outra coisa: caps lock num livro - big no-no! Parece tão infantil e desnecessário...
  • Elementos de fantasia: Podemos considerar este livro low-fantasy, mas low quase debaixo da terra! Eu nem sei porque raios é que o Caeel é um demónio e porque aparecem os vampiros no meio. Os elementos são muito mal explorados e ele só diz "Olha sou um anjinho mau" aí é que nó vemos "Ai isto é fantasia?";
  • Influências anglo-americanas: Hush, hush meets Twilight num bar de True Blood... Melhor descrição não há. Braga foi muito mal aproveitada, a cidade é tão bonita, mas tudo foi condensado nas acções das personagens, que a cidade e a sua beleza ficou para trás. Demasiado Bragashopping e eu que acho o centro da cidade um dos mais bonitos de Portugal, podia ser mais aproveitado. Estas influências notaram-se de igual modo em algumas construções sintácticas típicas inglesas e também nota-se que a autora lê traduções.

Agora por extenso, em tom de conclusão: um livro que teria provavelmente mais sucesso se tivesse esperado na gaveta mais um ano (não digo mais) e se contasse com um olhar crítico (ás vezes o que nos escapa enquanto autores é tão óbvio que nem notamos). Para quem gosta de fantasia se calhar até vai querer a minha cabeça numa bandeja (que seja de prata ao menos), mas encaro esta meia-hora como algo de positivo para o autor, que agora que levou comigo em cima, vai pensar sempre duas vezes antes de escrever algo de novo.

Wednesday, 30 November 2011

Mais uma antologia, mais uma voltinha!


Com o “boom” de Antologias e revistas sobre fantasia, terror e ficção científica, a Vollüpsa aparece no panorama nacional como uma promessa desde à muito prometida, mas que demorou a ser cumprida. A antologia organizada por Roberto Mendes está divida em três partes: Ficção Científica, Terror e Fantasia, contando com catorze contos ao todo. Misturando alguns autores não publicados e autores já consagrados do panorama português, a Vollüpsa é uma antologia que promete bastante, ao começar pela capa extraordinária do artista português Augusto Peixoto.

O design interior é simples e competente, permitindo uma leitura fácil num e-reader. A nível de impressão pode deixar o leitor mais exigente a torcer o nariz. Talvez uma edição para e-book e outra versão impressa seria mais agradável a nível de design. De facto no e-reader a leitura é um sonho, contudo num mercado tão competitivo ao nível da Fantasia, há que piscar o olho ao leitor mais inexperiente e arrastá-lo com uma linha invisível até aos livros nas prateleiras. Use o chicote se preciso... só para dar umas pancadinhas de amor aos possíveis leitores.

De modo a tornar esta crítica menos pesada, analisarei em mais detalhe um conto que enche as medidas e um conto que não fora tão bem conseguido. Os contos de Ficção Científica são os que apresentam maior qualidade literária, dando especial atenção ao conto de João Ventura e de Luís Filipe Silva. No lado oposto os dois contos que ficaram mais aquém (talvez por uma questão de estilo mais próprio) foram os da Carla Ribeiro e Carina Portugal.

“Eternidade” é um conto que leva rapidamente o leitor pelos caminhos da procura pelo absoluto e da sabedoria. Quantos filósofos e escritores tentaram encontrar na sua vida o absoluto, o Caminho inalcançável sem sucesso? “Se é alguém generoso que procura o Caminho, se sinto que nele existe o amor pelo seu semelhante, sou rápido e eficiente: nem chega a sentir quando a vida o abandona.” (Eternidade, 21) Embora o conto tenha o rótulo de Ficção Científica, se o leitor abstrai-se da classificação é tão fácil de imaginar este conto como algo real. Antero de Quental lamentava nos seus poemas a vontade de atingir o nirvana e o Absoluto “Chegar onde eu cheguei, subir à altura / Onde agora me encontro - é ter chegado/ Aos extremos da paz e da Ventura” (Nirvana) ou até mesmo o Fernando Pessoa que escrevia com a mão de Álvaro de Campos uma “Passagem das horas”

“Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,

E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.”

(negrito da minha autoria)

Se João Ventura oferece uma visão pessimista e a catarse da demanda eterna pelo infinito nunca é atingida, será que esta só conseguirá ser alcançada depois da morte? O caminho será o caminho da sabedoria só poderá ser atingida após esta vida? A riqueza de interpretações e multiplicidade de significados conferem ao conto “Eternidade” um balanço bastante positivo no fim da sua leitura.

Com um tom menos positivo temos “O acorde das Almas”, conto que se encontra na categoria errada, por não se tratar de modo algum de um conto de terror. Uma designação mais apropriada seria “Gótico-emo” ou “Purple prose”, só para arrumar os cadáveres na gaveta certa da morgue. Esta crítica pode começar com uma série de perguntas básicas: qualquer ficção terá de conter duas coisas principais, serão estas, uma história (ou setting ou plot, ou o que lhe queira chamar para ser ranhoso e diferente) e personagens. No “Acorde das almas”, o leitor parece um espírito fantasmagórico que deambula pelas páginas perdido sem saber porque raios está a ler aquilo, nem quando é que aquilo acaba. A preocupação dominante está presente na escrita e na forma como os adjectivos (não) fluem. Poderão argumentar (os ranhosos que gostam da palavra setting) que é uma questão de estilo. Poderão ainda espetar com o artigo da Wikipedia sobre o “purple prose” mais conhecido por ser um estilo com forte adjectivação que sobrecarrega os textos. “Os meus olhos estavam cerrados quando, pouco depois de sentir uma mão na minha elegante e esguia cintura, ouvi uma tentativa de resfolegar, todavia uma tentativa infrutífera.” (O Acorde das Almas, Portugal) O português carregado e pouco fluído aliado a uma história com pouco fio condutor, não ajuda a estabelecer uma ligação. O leito sentirá talvez que fora erguida uma muralha de gelo, onde a autora descreve um mundo extremamente pessoal que habita dentro da sua mente, enquanto o leitor luta desesperado, em vão na demanda heróica do conteúdo.

O outro conto que ficou bem aquém das expectativas foi “A Queda” e para ser descansar da prosa fluida enumerei os aspectos mais intrigantes ao ler o conto, são eles:
• Quantidade de vezes que uma frase começa por “E” ou pelo verbo “ser”; (um Drinking game com esta regra neste conto e tire umas 50 fotos de si bêbado para o Facebook);
• A personagem principal lê-se Damien... juro que todas as vezes que lia o nome esbofeteava-me porque pensava sempre na palavra “Daemon”. Problema nº 2: eu sei que Júlio não é propriamente um nome sexy, mas Damien? Ora e nomes portugueses, não podem vir incluídos no menu?
• Nota-se uma descendência do português traduzido da fantasia anglo-saxónica.
Reconheço, contudo que a Carla tem vindo a fazer um esforço para abdicar da “purple prose” e isso já é visível neste conto. Falta ainda abandonar o tema dos demónios que isso não dá com nada.

Agora que houve um balanço mais detalhado de três contos, segue-se um gostinho especial dos outros contos, que merecem destaque igual nesta crítica curtinha.

O Pequeno Guia do Céu, de Tristan de Sapincourt
Afonso Cruz | Um conto muito bem escrito, que reafirma Afonso Cruz como um grande escritor português, mestre na arte de contar histórias. O leitor fica com um sabor agridoce por ter aprendido mais sobre um tópico pouco abordado.

Natal®
Carlos Silva | Um conto um pouco cliché, que peca por abordar um tópico já há muito explorado sobre o Natal e a sua verdadeira essência, face ao tradicional versus moderno e/ou futurista em demasia. Apresenta um tom cómico e trocista devido à sua impossibilidade.

A Queda de Roma, antes da Telenovela
Luís Filipe Silva | Uma mais-valia nesta Antologia. A prosa do Luís Silva é competente e dá a sensação de orgulho na língua portuguesa e na maneira como não perdemos a identidade de ser português mesmo num conto de Ficção Científica. Talvez seja isso que falte a sério neste panorama, mesmo que sejam estereótipos do polícia parvo, ou do político barrigudo e corrupto. Se essas personagens podem saltar do dia-a-dia para o papel e deformadas na Ficção Científica, para quê seguir os moldes da literatura Anglo-saxónica?

Génesis – Apocalipse
Roberto Mendes | Um conto delicioso pelo seu conteúdo, apesar de ser uma ignóbil da Ficção Científica de Asimov (para já). Metade das referências ficaram pelo caminho e no fim fica sempre a sensação que o conto fora para uma audiência reduzida e iluminada, enquanto outros ficam num canto ignorantes.

Enquanto Dormias
Nuno Gonçalo Poças | Um conto que podia ser bem mais curto e directo. Há uma dificuldade muito grande em escrever terror em português, mas acima de tudo queremos estabelecer algo desde o início: escrevemos terror para aterrorizar? Incomodar? Enojar os leitores? Ou simplesmente para criar uma sensação de desconforto? Ao responder a esta pergunta torna-se mais fácil desvendar ao leitor como queremos que este atinja o nosso objectivo.

A Máquina
Álvaro de Sousa Holstein | Nostálgico e com traços de pintura bem delineados a prosa de Holstein relembra os escritores românticos portugueses com uma escrita bonita e harmoniosa. O conto é muito fácil de se enfiar na imaginação do leitor e deixa uma sensação de conforto e acima de tudo de nostalgia.

O último
Joel Puga | Li este conto quando participei na Antologia e lembro-me que foi este o motivo pelo qual ando constantemente a perguntar porque raios é que o Joel ainda não foi publicado? A imaginação de Puga não tem fim e se há coisa que falta neste mundo é imaginação para escrever e criar.

A Sala
Marcelina Gama Leandro | Um conto com um tom bastante infantil e acolhedor, repleto de magia que me fez lembrar do seu conto publicado na Fénix 0 “O roubo dos figos”. Talvez a Marcelina tenha encontrado o seu dom de escrever histórias de fantasia que tanto podem agradar a adultos como a crianças e nesta dualidade é que entra o verdadeiro talento da escrita.

Uma Questão de Lugar
Pedro Ventura | Tal como o conto do Roberto Mendes, “Uma questão de lugar” necessitava de uma série de conhecimentos prévios para entender o objectivo do conto. Partindo do princípio que se trata de uma homenagem a Rod Serling e Stuart Rosenberg (personagens do Twilight Zone) o conto é interessante. Agora a nível pessoal esperava algo mais do tom de Goor e uma personagem mais do estilo da Kaledra – mas isso é quando as opiniões se metem ao bedelho. Com ou sem entender as referências ao Twilight Zone, o conto pode ser lido individual e apreciar um ritmo acelerado da leitura.

Vermelho
Regina Catarino | Longe do tom original e diferente a que Catarino nos tem habituado nas suas participações de outras revistas, o conto “Vermelho” parece-se com um recontar a cena no “Livro do Êxodo”, que conta a história dos israelitas que atravessaram o mar Vermelho em fuga dos egípcios. Complicada é a tarefa de entender o porquê do conto se encontrar na secção de Fantasia, visto ser mais realista chamar-lhe Ficção em geral, sem querer afirmar que esta travessia aconteceu mesmo ou não. Um conto alternativo que confere um tom mais sério e menos fantasioso à própria fantasia.

Em tom de conclusão Vollüpsa é uma Antologia que vale a pena ser adquirida devido á sua multiplicada de estilos, que poderão agradar a vários públicos. O tempo que demorou a ser preparado leva-nos a questionar se a batalha da vontade de fazer algo, contra a realidade face aos problemas de editora/ distribuição não bloqueiam todos os anos mais projectos que poderiam emergir.

Saturday, 22 October 2011

Se colocarmos uma mulher bonita na capa, ninguém irá suspeitar do interior

Um homem imoral
Emma Wildes
Editora: Planeta
Páginas: 336

A Quinta Essência tem sido a principal divulgadora em Portugal dos romances eróticos/ românticos light, contudo a Planeta tem vindo a aumentar o ritmo no que toca a fantasia e romance. Emma Wildes apresenta o primeiro livro da série Notorious Bachelors, que nada de novo vem acrescentar aos milhares de livros nas estantes dos leitores de Jess Michaels, Lisa Kleypas e Johanna Lindsey. A prosa de Wildes é eficiente o suficiente para prender mais ou menos o leitor, quando apresentada uma história que já foi tentada milhentas vezes. Amelia é um mulher inocente, Alex é um homem com vários escândalos no seu historial. Só aqui a dicotomia inocência e escândalo leva o leitor a pensar que já sabe o que vai acontecer durante o livro. Embora Amelia não seja desmiolada (gosta de ler livros, sabe grego e latim e gosta de andar a cavalo – o que pelos vistos é melhor que nada), nem Alex seja o homem completamente imoral (a autora não chega a revelar os escândalos e preocupa-se mais em tornar Alex uma personagem digna e integra para Amelia). Pois é, nothing new, my beloved friends. Então o que leva “Um homem imoral” a ser lido? A side-plot – um escândalo entre os avós de Amelia e Alex que está muito bem construído e escrito com um ritmo bom. Nesta side-plot não há certezas e o fim surpreende até o mais experiente leitor nestas andanças.

Infelizmente é preciso ter um faro superior para com estes livros, as sinopses enganam, iludem, o preço pode ser alto demais para a resultado final e é preciso deixar de meter paninhos quentes. Felizmente a Planeta decidiu criar uma linha de livros de bolso e brevemente deverão publicar este número com um formato bem mais económico. Como leitora preocupa-me que tantas mulheres fora de Portugal escrevam sobre a mesma treta over and over again, sem inovar um bocadinho e no fim acabe por ser apenas mais um. É complicado ler vários tipos de livros como este e chegar ao fim sem conseguir escrever uma review competente. Não há simbologia escondida, personagens interessantes (sem tirar Anna Hathaway) ou temas para analisar. Creio que podíamos colocar “Um homem imoral” na secção de livros de verão.

Saturday, 15 October 2011

Actualizações nas leituras

Já chegou a casa, como prenda de anos, "The Steampunk Bible" e já me babei com as ilustrações e fotografias. Ainda tenho para ler "As mil e uma léguas submarinas" de Verne e o "Steamed" para entender o verdadeiro conceito por detrás desta cultura. Como já li 90 livros até à data e estou cada vez mais próxima de atingir o meu objectivo de 100, durante Novembro vou só actualizar o mad woman in the attic sobre a experiência do Nanowrimo, uma espécie de diário de bordo com todas as frustrações, rasgos de genialidade inexistentes e acessos de loucura. Para já (e para me obrigar a ler um calhamaço) comecei em conjunto com outras pessoas a ler "Of human bondage" (que deve ser o título mais genial de sempre para um livro). Até lá ando em sucessivas pesquisas sobre ficção científica, steampunk, gender studies e ficção erótica. De vez em quando lá mando um posta de pescada sobre livros que li, mas os posts começam a ser raros (falta duas críticas de ALA e Philip K. Dick).

Wednesday, 12 October 2011

Quickies 2nd round




Agora que o estágio na Escola Secundária Aurélia de Sousa começou tenho ido observar quase todos os dias as aulas, feito os "t.p.c" como uma aluna aplicada e ainda sobra tempo para ler os livrinhos e continuar a Nanozine. Sobra um pequeno problema: tempo para escrever as reviews. Eu bem sei que ele não estica, nem cai das árvores, mas queria tanto ter mais tempo para escrever as minhas críticas. Para já posso nomear pelo menos dois livros que adorei e dois que me desiludiram neste mês:

Star de Danielle Steel: uma desilusão completa - começa com uma premissa tão bonita de um amor que podia florescer durante a narrativa, mas acaba por ser desgraça atrás de desgraça, qual telenovela mexicana, apenas para meter as mulheres a chorarem e suspirarem. Já para não falar que as personagens são pavorosas e irrealistas (sim porque uma mulher que casa porque supostamente o homem é um "good match" e um homem que casa com uma rapariga porque "não consegue dizer não")... bem enfim you get my drill, it sucks. Admitam já tinham saudades do meu mau humor;

His Sister's Kiss de Kate Hill: eu bem que ando em busca de um romance erótico light sem cenas previsíveis ou personagens, cujo cérebro foi comido por um zombie. Este peca mesmo pelo primeiro aspecto. Gaja meets gajo = atracção física, que leva a sexo, que leva a casamento. Uau... a sério esta gente ganha dinheiro com isto? Tenho de começar a escrever mais se isto vende que nem "moletes". Um livro tem desgraças a mais, este tem felicidade a mais. Vou só vomitar arco-íris e já volto.

Dois livros que foram uma surpresa boa:
Enchanted: erotic bedtime stories for women de Nancy Madore: apesar da review ser publicada na Nanozine deste mês. Com twists engraçados e fins alternativos ao tradicional é uma lufada de ar fresco em toda a prosa erótica de segunda.

"Till we meet again de Judith Kranz: Um livro enorme, mas que marcou pelas personagens atrevidas e pela história com um fio condutor genial. As folhas passam pelos dedos as personagens evoluem e o mundo não é preto e branco, mas amarelo com bolinhas vermelhas. Agradou-me especialmente o facto das personagens femininas serem de facto independentes e não apenas "vendidas" como tal. Há que ter fé nesta gente.

A imagem corresponde ao e-reader que comprei na Pixmania para os meus anos (sim no meio do stress todo há tempo para esbanjar dinheiro), fica para breve mais um testemunho marcante de uma utilizadora de e-readers

Saturday, 10 September 2011

Threesome is fun


Orbias: As guerreiras da Deusa
Fábio Ventura
Editora: Casa das Letras
Páginas: 396

Se tivesse lido este livro quando tinha 14 anos, via Sailor Moon e jogava Final Fantasy (na golden age do Sakaguchi) tinha adorado o livro. Com quase 23 anos fica o sentimento de nostalgia desse tempo onde eu tentava escrever em inglês também sobre Deusas. Como já tinha lido o segundo volume (graças ao blog Bela Lugosi is Dead), estava à espera da oportunidade de ler o primeiro volume para saber se as críticas eram justas. Como o meu querido irmão teve a felicidade de comprar o livro primeiro que eu, decidi roubar-lho e ler num instante como tudo começou em Orbias. Existem problemas que já sublinhei noutras críticas sobre a narrativa do Fábio Ventura, contudo o principal problema (pessoalmente) é o product placement: o carro Mazda, as sapatilhas All Stars etc e algumas expressões que os jovens usam e que são mesmo más. Para alguém que já é adulta tudo isto soa a falso, para alguém que é adolescente duvido que ache o livro mau.

Outro problema é a idade das personagens. Quando se escreve para adolescentes há sempre a dificuldade de acertar na idade. Se as personagens forem demasiado adultas há a probabilidade de as acharem demasiado maduras, ou então usam a idade do público-alvo (neste caso digamos 14/15 anos) e caem na tentação de tudo parecer falso (ter miúdas de 15 anos a salvarem mundos... yeah right). A falta de maturidade das personagens relaciona-se com o facto de este ser o primeiro livro do autor (que o deve ter escrito mais ou menos com essa idade) e não consegue para já fazer melhor, devido a essa falta de maturidade na escrita. Contudo, e apesar de todos os defeitos que o livro apresenta (falta de maturidade, falta de descrição de sentimentos mais profundos como o amor, as personagens têm lack of depth), existem poucos livros para adolescentes que consigam apelar aos jovens. Lembrem-se que estes já duelam durante as aulas com “clássicos” e em casa querem ler algo que lhes apele, que consigam identificar-se e aí surge o “Orbias” a tentar colmatar esta falha. Ensina aos jovens a serem corajosos, a acreditarem neles mesmos e a nunca confiarem no óbvio. Existe bastante influência dos RPGs e mais uma vez senti que estava a jogar um livro (principalmente na ultima cena que parecia o last boss).

“Orbias: As guerreiras da Deusa” tem tudo o que um primeiro livro tem: falhas, imaturidade, promessa de crescimento e um sabor amargo que grita aos jovens que nem tudo é um mar de rosas com final feliz.

PS: E não é segredo nenhum que eu tenho um fraquinho pela Belladonna, há algo na figura dela que transborda tragédia.



Promise of pleasure
Cheryl Holt
Editora: Berkley
Páginas: 346

Para ser curta e grossa: O primeiro livro publicado este ano é uma coisa asquerosa e horrível. Uma espécie de “Cinderela” onde a personagem principal, Mary não é nada mais do que uma coitadinha que sofre e é ingénua, enquanto o herói é para variar um homem lindo e maravilhoso que se apaixona por ela, mas para salvar a fortuna da família tem de se casar com a irmã imatura de Mary. Como o livro tem provavelmente as piores personagens de sempre (mulheres burras e dependentes e homens com muito sex appeal e poucos escrúpulos), penso que o livro nem vale a pena ser adquirido. One word: NO!


Ligações proibidas
Cheryl Holt
Editora: Quinta Essência
Páginas: 384

Já “Ligações proibidas” cujo original curiosamente foi publicado em 2001 (enquanto o anterior foi publicado em 2010) apresenta personagens bem mais atraentes e uma trama mais interessante e menos rebuscada. Tem um toque de erotismo em cada página e as personagens são mais agradáveis. Contudo deixem que exprima um pensamento: porque raios é que a mulher e o homem nestas histórias ama-se, têm sexo que nem ninfos e depois quando chega a hora de assumirem um compromisso: “ai eu não sou digna da tua classe social!”... filha acabaste de permitir que ele retirasse a virgindade e não queres casar com ele? Porque é que as autoras sentem tanta necessidade de complicar a vida onde as coisas sãos fáceis e pior, porquê meter as personagens burrinhas de um momento para o outro para render mais 100 páginas de tortura? Quem gostar de romances eróticos light esta pode ser uma boa aquisição, até porque a capa é lindíssima e deve ficar bastante bem ao lado da Sheri Whitefeather e da Jess Michaels ambas também publicadas pela Quinta Essência.

Friday, 9 September 2011

Queue

What are you reading now?

Currently I am reading this book, written by a portuguese writer (see image)

Would you recommend it?
I would recommend it to teenagers (13-15 years).

And what’s next?
So here's the big list:
- Flow my tears, the policeman said: Philip K. Dick (I actually already started it and I have to say it's gorgeous);
- Lady of devices: Shelley Adina;
- The robe of skulls: Vivian French
- Do androids dream of electric sheeps?: Philip K. Dick
- Pride and prejudice and zombies: Seth Grahame-Smith;
- The Goose girl: Shannon Hale;
- 20 thousand leagues under water: Jules Verne;
- Stranger in a strange land: Robert Heinlein.

Wednesday, 31 August 2011

Feministas wannabes

O protector
Madeline Hunter
Editora: Edições ASA
Páginas: 288

“O protector” está dividido em duas partes: a primeira metade em que a personagem principal Anna de Leon tem toda a potencialidade para ser uma heroína poderosa e a segunda parte onde Anna de Leon é assassinada pela autora em prole de um final feliz que satisfaça as parvinhas das românticas. Anna de Leon é uma mulher não muito típica do período medieval. Poderosa, gosta de se vestir de homem, maneja bem o arco e não se quer casar tão cedo... aliás não se quer casar ponto. Pessoalmente não entendo porque é que as personagens femininas para serem “rebeldes” têm de ser tão extremistas. Podem considerar Anna de Leon talvez feminista, contudo e apesar da independência no seu carácter ser um ponto positivo, não entendo porque é que a autora exagerou tanto na personagem. Ela podia vestir-se de homem e manejar bem o arco e ter como ideal escolher um marido ela própria. Até aqui apesar de haver alguns pontos extremistas, digam lá que Anna de Leon não parece ser uma personagem feminina apetecível? Óbvio que se o livro foi o best-seller a autora tinha de estragar tudo. E estraga através da personagem masculina: Morvan – um homem possessivo, que só pensa em sexo basicamente e que não aceita a condição de Anna e só pensa em protege-la. Morvan é a maior falha de Hunter. Se a Anna é um estratega brilhante e usa bem as armas porque raios precisava ela de um cavaleiro? Ainda por cima um que só quer saltar para debaixo das saias. Madeline Hunter estragou todo o potencial ao oferecer às leitoras um final feliz. Traiu os ideais da sua personagem ao fazer com que ela aceite aquele homem na sua vida. Uma personagem como esta na época medieval só teria dois fins possíveis: manicómio ou suicídio. Penso que um final trágico dava outro ambiente. Anna de Leon tornar-se-ia uma personagem trágica, uma vítima do seu tempo e do comportamento machista. Em vez disso tornar-se-á uma dona de casa com muitos filhos e um marido para a proteger... Thank you mrs. Hunter por ter tentado escrever algo feminista, mas no thanks.

Tuesday, 30 August 2011

Gostava de ter lido este tipo de livros quando tinha 16 anos

Shiver
Maggie Stiefvater
Editora: Presença
Páginas:448
Preço: 17,90€

Sinopse:
Sam e Grace são dois adolescentes que vivem um amor sublime e aparentemente impossível. Todos os anos, quando chega a Primavera, Sam, abandona a sua vida de lobisomem e recupera a forma humana, aproximando-se de Grace, mas sempre que regressa o Inverno, vê-se obrigado a voltar à floresta e a viver com a sua alcateia. Conseguirá o seu amor vencer os muitos obstáculos que ameaçam separá-los para sempre? Uma história cheia de aventuras e descobertas, mágica, original, que desafia a mente e enternece o coração.

Um livro para adolescentes que prova que o sucesso do Twilight só abriu portas a algumas autoras que merecem mesmo a pena serem publicadas. As personagens são decentes, a história embora a plot principal se baseie apenas na relação amorosa entre Grace e Sam, esta nunca se torna aborrecida. O amor, a amizade são as principais preocupações dos adolescentes e é sempre bom ter alguns livros de fantasia para acompanharem esses períodos. A maneira como Stiefvater dividiu os capítulos por perspectiva e por temperatura ajuda bastante a que o leitor sinta a relação entre os protagonistas. Foi algo inovador e diferente. Outro aspecto positivo foi a relação de Grace com os seus pais ausentes e por vezes negligentes. O tema da relação entre pais e filhos especialmente na adolescência é algo delicado. Existe uma conveniência para que a história avance e a relação entre Grace e Sam fique mais intensa, se os pais foram afastados. Shiver é um livro fácil de digerir, com um especial cuidado em relação a temas sensíveis que os adolescentes enfrentam e não é de todo desmiolado. Embora haja ainda muito lixo nas prateleiras, penso que Shiver é um bom livro para cativar um adolescente a ler, cada vez mais nos adaptamos às necessidades de acordo com a faixa etária, o que é bom, visto que existem tipos de maturidade diferente. Notei de igual forma, que muitos dos meus alunos na Universidade Júnior não gostavam de coisas que tivessem a ver com fantasia. É pena. Espero que a geração seguinte (a da minha irmã) não se importe de sonhar com lobisomens, vampiros, fadas, Barbas azuis ou cientistas loucos com goggles.

Thursday, 25 August 2011

History

Sometimes I feel like the only person I know who finds reading history fascinating. It’s so full of amazing-yet-true stories of people driven to the edge and how they reacted to it. I keep telling friends that a good history book (as opposed to some of those textbooks in school that are all lists and dates) does everything a good novel does–it grips you with real characters doing amazing things.
Am I REALLY the only person who feels this way? When is the last time you read a history book? Historical biography? You know, something that took place in the past but was REAL.

I can actually present a couple of books I am reading right now about History ;)







Tuesday, 23 August 2011

If I use the word "fuck" and "cock",can I consider it an erotic novel?

Like a wisp of steam
Edited by: Cecilia Tan and J. Blackmore
Ebook By: Circlet Press Editorial Team

“Like a wisp of steam” is a short-story collection of erotica steampunk. The premise is good enough: Victorian girls with tight corsets in a world full of gadgets and adding a bit of spice to steampunk world seems only a nice step further. Only that “Like a wisp of steam” fails in everything they try to deliver to the public.

The Innocent’s Progress
Peter Tupper

An incomprehensible piece of work. Too rough, it has nothing characteristic of steampunk, the reader must gather strength to understand what this short-story is all about. They talk about “beast and pedant, innocent, fatale and virago” and don’t give an explanation of what it is. Characters don’t have enough space to develop and breathe. It’s all too complex for the reader who should just enjoy a good story and instead is trying to find a logic thread to it.

An Extempore Romance
Jason Rubis

The main issue regarding the short-stories of this volume is the fact that most of the stories are not well developed. They failed to convey any sense or objective to it. Although “An extempore romance” seems legit both erotic and steampunk sides, the reader feels quite neutral in the end, failing to understand why there was a need to write such story.

Hysterical friction
Thomas S. Roche

This one had a good erotic compound, yet it has little of Steampunk. A woman who hasn’t been touched by her husband goes to a doctor in need of treatment to, what her husband think is hysteria. Although the cure process has a little of steampunk, the set and story itself feels empty. The characters have little depth as they are not entirely explored.

In the flask
Vanessa Vaughn

A funny story with scientific experiments although not the best of the anthology, but also not the worst. The fun part is the description of Dr. Aubrey (a man though with a girl’s name) and the fact that his/her assistant named Nicholas has both female/male words associated to him/her. . The usual word associated to woman such as wanton makes the reader believe that perhaps Nicholas is a woman “I could act as shameless and wanton as I wished and no one would question my actions”, but then the author uses the word chest which implies a male assistant: “exposed nipples of my chest”. Nearly the end the reader’s doubts are gone with the description of the assistant orgasm “Warm white liquid spilled from me and drizzled over his fingers.” turning “In the flask” a homoerotic steampunk short-story.

Steam and Iron, Musk and Flesh
Kaysee Renee Robichaud

The best short-story presented here. Robichaud present us a real steampunk environment and a fair heroine, Trisha, who happens to be a lesbian. There is a mix of adventure, erotic and steampunk, this was the type of stories I wanted to read and it took a long time to reach it.